quinta-feira, 30 de abril de 2015

Renato Roseno diz ser contra à redução da maioridade penal e destacou sobre a atual situação política do país

Durante coletiva de imprensa realizada pelos estudantes do curso de Jornalismo do Centro Universitário Estácio do Ceará, o deputado estadual Renato Roseno do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL, declarou sobre o grande apoio que vem dado às crianças, jovens e adolescentes, comentou sobre sua trajetória na militância e falou sobre a importância da democracia política para o Brasil.
Renato Roseno integra a bancada do PSOL na Assembleia Legislativa - Foto: Internet

O deputado estadual Renato Roseno, do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL disse em coletiva de imprensa, ser contra à redução da maioridade penal no Brasil. O parlamentar, que iniciou sua militância ainda na década de 90, quando ingressou na Universidade Federal do Ceará - UFC, falou que desde cedo, sempre procurou defender os valores das crianças, jovens e adolescentes. ”É preciso que a sociedade seja plural e tenha alternativas. Na época da ditadura militar, muitas pessoas guardaram a bandeira e deixaram de lutar. Um partido é uma ferramenta política, é preciso saber se existe sintonia do partido com a sociedade. A educação é primordial para os seres humanos, mesmo existindo uma diferença entre uma educação pública e vendida, estamos vivendo uma época que pode haver um retrocesso, a diminuição da maioridade penal é um grande exemplo. O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, com jovens entre 18 e 29 anos. Conheço muito sobre prisão neste país e também em outros países, e todo o sistema carcerário passa por uma adaptação, se colocarmos mais gente no sistema carcerário você irá determinar que aquele ser humano não terá possibilidade de voltar ao convívio com a sociedade”, relatou.
De acordo com Roseno, o processo histórico político do Brasil, envolve a questão da distribuição de riqueza, poder e saber, por isso, a corrupção no atual cenário político do país é sistemática e que envolve contratos fraudulentos, financiamento de campanhas e a gestão das empresas públicas. “O PT está findando de forma tão melancólica. A corrupção é a privatização do que é público, ou seja, não legalizado, sem passar por circuitos públicos. O capital no país é muito radical. Não se pode comprar o que a grande mídia está colocando, existe uma grande questão atrás das notícias”, ressaltou.
Renato disse que o PSOL é contra todo tipo de conteúdo que seja publicado nos meios de comunicação, viole os direitos humanos e seja uma arma para seduzir crianças através de mensagens subjetivas em propagandas e que atualmente o Ceará tem 14 horas diárias de programas policiais. “Quatro destes programas policiais estão na justiça pela violação dos direitos humanos, se formos falar com os donos dos veículos de comunicação, possivelmente acharão que trata-se de censura aos mesmos. Quando se fala em mídia democrática é falar em direitos iguais. O processo de participação política aprendemos fazendo, mas estamos massacrados pelo mercado de consumo, por isso, lutamos pelo controle da publicidade infantil, tudo por conta das subjetivações nas mensagens, tudo isso fica encaixado em nossa sociedade, é importante abrir canais para que as crianças possam ter vez e voz. Os grêmios escolares, diretórios acadêmicos, são destaques na luta pela garantia dos direitos”, disse.
A ampliação do acesso à educação sexual, aos métodos contraceptivos e à legalização do aborto no país, foi outra questão levantada pelo deputado, para ele é importante um planejamento familiar e também nas escolas. “O Uruguai já legalizou e nenhuma mulher faleceu por conta da legalização, em outros países houve uma diminuição, pois o mercado da clandestinidade quer justamente estar livre sem nenhuma fiscalização, respeito os valores, crença e ciência. Queremos que as pessoas respeitem a sua fé e especialistas precisam ser ouvidos, assim como as experiências internacionais precisam ser valorizadas. Em algumas esferas no debate público estão retrocedendo”, ressaltou.
No ano de 2013 o parlamentar foi homenageado com o prêmio Neide Castanha, um reconhecimento em sua luta e defesa pelos direitos das crianças, jovens e adolescentes em nosso Estado. “A Neide foi um grande exemplo, pois era negra, lésbica, trabalhou com crianças de ruas, e estava se dedicando muito em relação a violência sexual contra as crianças e adolescentes. Receber prêmio não pode ser uma questão de vaidade, pois é uma forma de ampliar uma responsabilidade, no caso brasileiro, nos mostra que estamos longe de termos vitória no campo da questão da violência sexual. É importante ter humildade e não se levar pela vaidade, aumentar as responsabilidades e fazer menção a Neide como fonte de inspiração”, finalizou.

SOBRE RENATO ROSENO
A maior atuação de Renato Roseno é no campo da defesa de direitos humanos, contribuindo com movimentos por moradia e contra a violência policial. Em 2000, participou da fundação do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA) no Ceará, organização que coordenou por seis anos; foi conselheiro titular do Conselho Nacional dos Direitos da Criança (CONANDA); coordenou a Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED) e assessorou a entidade no monitoramento da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança. Em 2005, deixa o PT e filia-se ao recém-criado Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Já pelo PSOL, concorreu ao Governo do Ceará nas eleições de 2006. Foi o terceiro colocado na disputa, com 106 184 votos. Foi candidato à Prefeitura de Fortaleza pela coligação formada entre PSOL e PSTU no pleito de 2008, recebendo 67 080 votos. Disputou a vaga de deputado federal nas eleições de 2010, tendo sido o segundo mais votado em Fortaleza e o nono no Ceará, porém não conseguiu a vaga devido às regras do coeficiente eleitoral. Em 2012, foi novamente candidato a prefeito de Fortaleza pela coligação A Fortaleza que nos Move, composta pelo PSOL e pelo PCB, tendo como vice Soraya Tupinambá.

Reportagem: Dimitry Lima

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