Durante coletiva de imprensa realizada pelos estudantes do curso de Jornalismo do Centro Universitário Estácio do Ceará,
o deputado estadual Renato Roseno do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL, declarou sobre
o grande apoio que vem dado às crianças, jovens e adolescentes, comentou sobre
sua trajetória na militância e falou sobre a importância da democracia política
para o Brasil.
Renato Roseno integra a bancada do PSOL na Assembleia Legislativa - Foto: Internet
O
deputado estadual Renato Roseno, do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL disse em coletiva
de imprensa, ser contra à redução da maioridade penal no Brasil. O parlamentar,
que iniciou sua militância ainda na década de 90, quando ingressou na Universidade
Federal do Ceará - UFC, falou que desde cedo, sempre procurou defender os valores
das crianças, jovens e adolescentes. ”É preciso que a sociedade seja plural e
tenha alternativas. Na época da ditadura militar, muitas pessoas guardaram a
bandeira e deixaram de lutar. Um partido é uma ferramenta política, é preciso
saber se existe sintonia do partido com a sociedade. A educação é primordial
para os seres humanos, mesmo existindo uma diferença entre uma educação pública
e vendida, estamos vivendo uma época que pode haver um retrocesso, a diminuição
da maioridade penal é um grande exemplo. O Brasil tem a terceira maior
população carcerária do mundo, com jovens entre 18 e 29 anos. Conheço muito
sobre prisão neste país e também em outros países, e todo o sistema carcerário
passa por uma adaptação, se colocarmos mais gente no sistema carcerário você
irá determinar que aquele ser humano não terá possibilidade de voltar ao
convívio com a sociedade”, relatou.
De
acordo com Roseno, o processo histórico político do Brasil, envolve a questão
da distribuição de riqueza, poder e saber, por isso, a corrupção no atual
cenário político do país é sistemática e que envolve contratos fraudulentos,
financiamento de campanhas e a gestão das empresas públicas. “O PT está
findando de forma tão melancólica. A corrupção é a privatização do que é
público, ou seja, não legalizado, sem passar por circuitos públicos. O capital
no país é muito radical. Não se pode comprar o que a grande mídia está
colocando, existe uma grande questão atrás das notícias”, ressaltou.
Renato
disse que o PSOL é contra todo tipo de conteúdo que seja publicado nos meios de
comunicação, viole os direitos humanos e seja uma arma para seduzir crianças
através de mensagens subjetivas em propagandas e que atualmente o Ceará tem 14
horas diárias de programas policiais. “Quatro destes programas policiais estão
na justiça pela violação dos direitos humanos, se formos falar com os donos dos
veículos de comunicação, possivelmente acharão que trata-se de censura aos
mesmos. Quando se fala em mídia democrática é falar em direitos iguais. O
processo de participação política aprendemos fazendo, mas estamos massacrados
pelo mercado de consumo, por isso, lutamos pelo controle da publicidade
infantil, tudo por conta das subjetivações nas mensagens, tudo isso fica
encaixado em nossa sociedade, é importante abrir canais para que as crianças
possam ter vez e voz. Os grêmios escolares, diretórios acadêmicos, são
destaques na luta pela garantia dos direitos”, disse.
A
ampliação do acesso à educação sexual, aos métodos contraceptivos e à
legalização do aborto no país, foi outra questão levantada pelo deputado, para
ele é importante um planejamento familiar e também nas escolas. “O Uruguai já
legalizou e nenhuma mulher faleceu por conta da legalização, em outros países
houve uma diminuição, pois o mercado da clandestinidade quer justamente estar
livre sem nenhuma fiscalização, respeito os valores, crença e ciência. Queremos
que as pessoas respeitem a sua fé e especialistas precisam ser ouvidos, assim
como as experiências internacionais precisam ser valorizadas. Em algumas
esferas no debate público estão retrocedendo”, ressaltou.
No
ano de 2013 o parlamentar foi homenageado com o prêmio Neide Castanha, um
reconhecimento em sua luta e defesa pelos direitos das crianças, jovens e
adolescentes em nosso Estado. “A Neide foi um grande exemplo, pois era negra,
lésbica, trabalhou com crianças de ruas, e estava se dedicando muito em relação
a violência sexual contra as crianças e adolescentes. Receber prêmio não pode
ser uma questão de vaidade, pois é uma forma de ampliar uma responsabilidade,
no caso brasileiro, nos mostra que estamos longe de termos vitória no campo da
questão da violência sexual. É importante ter humildade e não se levar pela
vaidade, aumentar as responsabilidades e fazer menção a Neide como fonte de
inspiração”, finalizou.
SOBRE RENATO ROSENO
A maior atuação de
Renato Roseno é no campo da defesa de direitos humanos, contribuindo com
movimentos por moradia e contra a violência policial. Em 2000, participou da
fundação do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA) no Ceará,
organização que coordenou por seis anos; foi conselheiro titular do Conselho
Nacional dos Direitos da Criança (CONANDA); coordenou a Associação Nacional dos
Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED) e assessorou a entidade
no monitoramento da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança. Em
2005, deixa o PT e filia-se ao recém-criado Partido Socialismo e Liberdade
(PSOL). Já pelo PSOL, concorreu ao Governo do Ceará nas eleições de 2006. Foi o
terceiro colocado na disputa, com 106 184 votos. Foi candidato à Prefeitura de
Fortaleza pela coligação formada entre PSOL e PSTU no pleito de 2008, recebendo 67 080
votos. Disputou a vaga de deputado federal nas eleições de 2010, tendo sido o
segundo mais votado em Fortaleza e o nono no Ceará, porém não conseguiu a vaga
devido às regras do coeficiente eleitoral. Em 2012, foi novamente candidato a
prefeito de Fortaleza pela coligação A
Fortaleza que nos Move, composta pelo PSOL e pelo PCB, tendo como vice
Soraya Tupinambá.
Reportagem: Dimitry Lima


